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terça-feira, agosto 08, 2006

VAMOS AO CINEMA COM CULTURA E PIPOCA?? ZUZU ANGEL!!

Zuzu Angel/Amor Natural


Que tal pegarmos um cineminha?? Vou adorar, e você?? Beijinhos!!

ZUZU ANGEL
(Zuzu Angel, Brasil, 2006)
Cinebiografia de Zuzu Angel (Patrícia Pillar), estilista responsável pela fama do Brasil no mundo da moda internacional. O filme foca o drama vivido pela estilista mineira, cujo único filho, Stuart (Daniel de Oliveira), desapareceu durante a Ditadura Militar, nos anos 70.
Direção: Sérgio Rezende
Elenco: Patrícia Pillar, Daniel de Oliveira, Leandra Leal, Luana Piovani, Paulo Betti, Nelson Dantas, Antônio Pitanga, Elke Maravilha.
Duração: 103 min.

ZUZU ANGEL
Por Angélica Bito
criticas@cineclick.com.br
Dirigido por Sérgio Rezende, o longa-metragem Zuzu Angel é mais uma homenagem à memória da estilista que, após conquistar as passarelas do mundo todo no começo da década de 70, mergulhou no drama de ter seu filho desaparecido nas celas dos militares durante a ditadura. Envolvido com a guerrilha que combatia o sistema, Stuart Angel foi preso em 14 de maio de 1971 pelos agentes do Centro de Informação da Aeronáutica. Enquanto o nome de Zuzu Angel tornava-se sinônimo de moda brasileira, pelo menos aos olhos “gringos”, seu filho – vivido por Daniel de Oliveira (Cazuza – O Tempo Não Pára) – envolve-se cada vez mais nos movimentos estudantis contra a ditadura. Os cartazes empunhados em passeatas logo foram substituídos por armas e, assim como a esposa Sônia (Leandra Leal), não conseguiu escapar das cruéis mãos do governo militar e totalitário da época.

Patrícia Pillar encarna a personagem-título deste longa-metragem, sendo o grande destaque. O filme, cuja carga dramática é conduzida de forma a lembrar em muitos momentos a linguagem televisiva, é um retrato de uma época ainda obscura, mas que rende bastante ao cinema brasileiro. Apesar de ser cinematograficamente pobre, Zuzu Angel conta com momentos dignos, principalmente os relacionados à atuação de Patrícia Pillar como a estilista. A atriz consegue passar ao espectador de forma clara e emocionante o drama vivido pela personagem que, no início do filme, começa a ter reconhecimento profissional – coisa rara para uma mulher naquela época – não somente no Brasil, mas internacionalmente também. Essa passagem, de mulher bem-sucedida à mãe desesperada, acontece de forma sutil e emocionante ao longo da produção graças à performance de Patrícia, aliada à parte estética construída para trabalhar a favor da trama. Os figurinos são baseados nas criações da própria Zuzu Angel, que sempre imprimiu em seu trabalho os momentos de angústia vividos após o desaparecimento do filho, cuja morte, ou mesmo a presença nas instalações militares, nunca foi oficialmente comunicada. Essa angústia da protagonista, que deseja apenas enterrar o corpo do próprio filho, é o que há de mais dramático na vida de uma mãe e é sobre essa premissa que o drama de Zuzu Angel se apóia.

Mais do que ser um retrato de época, Zuzu Angel é o retrato de uma brasileira que, como tantos cidadãos, batalhou pelo que achava ser certo. E morreu tentando. Em 14 de abril de 1976, seu corpo foi encontrado na saída do Túnel Dois Irmãos na Estrada da Gávea, no Rio de Janeiro. A causa de sua morte foi dada como “acidental”, sendo reconhecida como assassinato somente nos anos 90.

VEJA O TRAILER DO FILME

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